"A lei do mais forte" era o nome do debate do Aqui e Agora de hoje no Telejornal da SIC. O tema abordado foi o bullying.Segundo a Wikipédia, bullying é um termo inglês utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.
Vi esta reportagem (ou parte dela porque não vi do início) e só hoje fiquei a saber o nome daquilo que fui vítima na escola. Aliás, nem tão pouco sabia que aquilo tinha nome, que nem sequer é português.
Talvez o meu não tenha sido muito acentuado em relação ao de algumas pessoas e foi practicamente só a nível psicológico, ainda que também ligado com aspectos fisícos.
O facto de eu ser rechunchuda, feia, não ter roupas de marca ou poucas, não ter uma bicicleta com mudanças (que me teriam dado imenso jeito uma vez que fazia todos os dias 14km para ir e vir da escola), não conseguir ter rendimento suficiente em educação física (ficava sempre à baliza porque era sempre a última a ser escolhida e eu até preferia porque me custava bastante correr, devido a problemas físicos) foram tudo coisas pelas quais fui gozada pelos outros.
Este situação só começou a melhorar já quase no final do secundário, por ser uma aluna que tirava boas/razoáveis notas e os que começavam a aproximar-se de mim, ou eram as minhas 2 amigas ou outras pessoas por interesse (apontamentos, etc.). Ainda assim, eu é que era a anormal, eu é que era a marrona, não eram eles que eram os burros e os preguiçosos, que faltavam às aulas e chumbavam anos a fio e mesmo assim nunca eram ameaçados pelos pais que sairiam da escola ao primeiro ano que chumbassem!
Foi muito mau nesta altura, não tive uma juventude que goste de me recordar, mas não sei como teria sido se não fosse assim. Não me arrependo de ser como sou hoje, de por vezes ser fria, rude, até antipática com pessoas que sofrem de preguiça mental, oportunistas, porque essas pessoas só têm aquilo que merecem e pagam hoje aquilo que me fizeram sofrer em tempos.
Hoje sou eu que estou na mó de cima. Isto é o máximo que o meu trauma pode inflingir às outras pessoas. Não me tornei violenta fisicamente, não fui por maus caminhos, graças à educação que tive, mas consigo tornar-me violenta nas palavras quando é necessário.
Gostava de ouvir manifestações de outras pessoas, porque com certeza, elas andam por aí em mais quantidade do que o que todos nós pensamos.
Para terminar, uma mensagem aos bullies: Tal como eu, algum dia eles hão-de estar na mó de cima. Espero que cá estejam para assistir a isso!



